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SÁBADO 4 MAIO 2019 — 18h

Olhar para o vazio [com outros olhos]
'Vazios Urbanos'- conferência de Cristina Pereira
(arquiteta e diretora do Departamento de Ordenamento do Território da Câmara Municipal do Funchal)

Texto de Susana de Figueiredo

Ciclo de conversas em torno do 'Atlas da Cidade' | 2.º momento da exposição de Paulo David 'Da continuidade das formas e do modo como pousam'

É sobre os ‘Vazios Urbanos’ que se debruça o olhar da arquiteta Cristina Pereira, voz que entra pela Porta 33, no próximo sábado, 4 de maio, quando o relógio marcar as 18h00. Esta é mais uma conferência inserida no ciclo dedicado ao segundo momento da exposição de Paulo David, ‘Atlas da Cidade’, obra arquitetónica patente ao público neste centro de cultura até 11 de maio. Cristina Pereira lançará um olhar amplo e profundo sobre as múltiplas dimensões do conceito de cidade, detendo-se na sua génese, anatomia e significados, enquanto “testemunho de uma grande transformação, que carrega uma herança e uma memória.” Na sua intervenção, a especialista pretende caracterizar a cidade no seu todo, abordando a sua evolução histórica até aos dias de hoje e, ao mesmo tempo, alertando para “a necessidade de repensar o modo de agir sobre a cidade”, à luz da visão estratégica que está a ser implementada com base no novo Plano Diretor Municipal (PDM). Questões como a reabilitação urbana e a mobilidade urbana, a melhoria da qualidade de vida e a prevenção de riscos naturais, com particular enfoque no espaço público, serão alguns das subtemas a emergir, num discurso que cruzará disciplinas indissociáveis da arquitetura, como a geografia, a engenharia ou a sociologia, entre outras.

“Nós, arquitetos, fomos sempre habituados a pensar a arquitetura desde a cidade até ao puxador da porta.”

“Repensar a cidade para as pessoas”, enquanto espaço de “encontro, comunicação e trocas comerciais e culturais”, enquanto espaço para trabalhar, viver, mas também “contemplar” é, pois, um dos maiores desafios que se colocam aos arquitetos, vinca Cristina Pereira, destacando, neste âmbito, a importância e os sentidos dos vazios que constituem a peculiar orografia madeirense. “Sobretudo num território como o nosso, com uma orografia tão acidentada, em que são escassos os vazios contemplativos e afetos aos pontos de encontro das pessoas , há que valorizá-los”, afirma, explicando que estes espaços representam “um enorme potencial em termos de transformação, podendo constituir um fator de urbanidade, que nos fez pensar na criação de microcentralidades capazes de colmatar necessidades locais, e, em simultâneo, formar e distinguir identidades do lugar.” Um exercício sagaz de observação, envolvimento e (re)interpretação do território, “que obriga a olhar para o pormenor” da cidade enquanto organismo vivo em permanente transmutação e construção, camada a camada, por dentro e por fora. “É preciso entender estes espaços, experimentá-los e humanizá-los. Nós, arquitetos, fomos sempre habituados a pensar a arquitetura desde a cidade até ao puxador da porta.”, afirma, tecendo uma analogia entre a urbe e a casa.
A arquiteta abordará, ainda, os vários tipos de vazios urbanos, identificando os “vazios expetantes”, que esperam por uma oportunidade de serem intervencionados, os “vazios obsoletos”, que, de alguma forma, já cumpriram a sua missão e representam memórias, os “vazios concetuais”, que se prendem com o seu próprio significado, os “vazios ‘clássicos’, como o lote, a rua, o quarteirão, a praça ou o largo.”, e os “vazios de transição de um espaço público para um espaço privado.” Todos estes vazios são característicos de qualquer cidade do mundo, nota Cristina Pereira, acrescentando que existem ainda os vazios que se cumprem em si mesmos. “Culturalmente, temos a tendência de querer ocupar todos os espaços vazios. Por exemplo, pensamos sempre em ocupar a praça, mas a praça deve, por vezes, permanecer vazia, por razões que se prendem com o modo de vida e comunicação dos habitantes. Muitas vezes o sentido de um espaço vazio é precisamente manter-se vazio.”

Sobre Cristina Pereira
Nascida em 1976, licenciou-se em Arquitetura de Gestão Urbanística pela Faculdade de Arquitetura da Universidade de Lisboa (2000). Mestre em Regeneração Urbana e Ambiental (2008), com o tema ‘O turismo, fator de degradação versus fator de regeneração: o caso do centro histórico do Funchal’. Atualmente, é doutoranda em Urbanismo, estando a desenvolver a sua tese de investigação na área do planeamento urbanístico.
Desde 2001, e ao longo da sua experiência profissional, tem vindo a desenvolver trabalhos na área do ordenamento do território e planeamento urbano, com o desenvolvimento, execução e coordenação de planos municipais de ordenamento do território, projetos de espaços públicos e, na área do urbanismo, com a gestão de projetos de urbanismo e edificação, análise e apreciação técnica de projetos de arquitetura e urbanização, enquanto técnica superior da Câmara Municipal do Funchal. Da sua experiência, salienta-se a coordenação técnica de planos municipais de ordenamento do território, destacando-se a coordenação técnica municipal da Revisão do Plano Diretor Municipal do Funchal.
No período de 2014, exerceu funções de apoio ao gabinete à presidência da Câmara Municipal do Funchal – vereação do Urbanismo, assumindo, em 2015, e até o final de 2018, o desempenho de chefe de divisão da Divisão de Estudos e Estratégia, com a responsabilidade de coordenação do processo de revisão do Plano Diretor Municipal do Funchal, assim como com a coordenação e desenvolvimento do Sistema Municipal de Informação Geográfica (SIG), mantendo e atualizando, permanentemente, as bases de dados municipais e disponibilizando essa informação para entidades e público em geral.
Desde o início de 2019, iniciou funções como diretora do Departamento de Ordenamento do Território da Câmara Municipal do Funchal, integrando áreas no domínio municipal da apreciação urbanística, do planeamento urbano, da reabilitação urbana e projetos, da mobilidade e do trânsito e da informação geográfica municipal.

 

 


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