Auditório Casa Museu Frederico de Freitas
Dia 30 de Abril, às 17 horas

Seguido de conversa com:
Lourdes Castro, Catarina Mourão,
João Fernandes (Director do Museu de Serralves)
e Maurício Pestana Reis (Porta 33)

Porta33
Dias 2, 3 e 4 de Maio
Às 16 horas e às 19 horas (duas sessões)
Dias 9, 10 e 11 de Maio
Às 16 horas e às 19 horas (duas sessões)

Nota: lotação limitada à capacidade do auditório
da Casa Museu Frederico de Freitas e da sala da Porta33


pelas SOMBRAS
um filme com Lourdes Castro
realização Catarina Mourão


pelas sombras
Uma entrevista com Catarina Mourão
por Leonor Nunes



O que mais a surpreendeu no universo de Lourdes de Castro, ao longo da feitura do filme»

Antes de arrancar para o filme , sinto que já estava bastante próxima do universo da Lourdes Castro, no entanto è evidente que com o passar do tempo o retrato desse universo se torna mais rico e complexo. Aquilo que me continua a surpreender no universo da Lourdes é uma capacidade incrível de estar atenta ao pormenor e de conseguir uma harmonia muito grande entre a sua vida e a obra. A criatividade e o prazer em fazer as coisas estão sempre presentes em qualquer gesto, independentemente deste resultar numa obra da artista ou se esgotar no quotidiano.

Como foi essa experiência?

Como todos os filmes foi um caminho, onde temos de fazer escolhas. Neste caso tratando se de uma personagem é um caminho que passa por conhecer essa pessoa e perceber como vamos representá-lo no filme. Por muito que tentemos que a pessoa filmado se reveja no retrato que dela damos, no fim há sempre uma construção da personagem e do seu mundo. Há uma história que se quer contar que tem uma verdade mas que não pode conter todas as verdades. No caso deste filme com a Lourdes Castro, houve momentos em que essas escolhas foram bastante discutidas entre nós as duas.

Por que decidiu fazer este filme sobre Lourdes de Castro? O que a motivou no trabalho da artista ou no seu percurso?

Sempre fui uma admiradora do trabalho da Lourdes Castro, há uma dimensão plástica muito forte, mas também uma grande inteligência e sentido de humor. Por outro lado sempre me fascinou a atitude por trás do trabalho, o caminho de depuração que Lourdes foi fazendo, até chegar ao Teatro das Sombras e ao jardim. E foi este percurso afinal que me motivou a fazer o filme, queria perceber e revelar este momento da vida da Lourdes em que para ela deixou de fazer sentido "criar objectos para por na parede". Fui percebendo que a chave desta revelação passava por um retrato do quotidiano de Lourdes hoje na sua casa e no seu jardim. Por outro lado já nos meus filmes anteriores havia esta preocupação de trabalhar sempre a partir do tempo presente, do quo-tidiano, e nesse sentido o meu caminho e o da Lourdes cruzaram-se de certa maneira.

O que essencialmente procurou captar e sublinhar com o seu filme?

Procurei trabalhar esta ideia de que é possível falar sobre uma vida, um percurso, sempre a partir de um microcosmo. Através do quotidiano da Lourdes percebemos outras questões que transcendem a sua arte mas que a marcam obviamente, como por exemplo a forma como estamos cada vez mais rodeados de betão e ainda tão pouco acordados para a defesa da natureza, para a nossa defesa. O filme tem também uma dimensão ecologista, se calhar, mas também uma dimensão filosófica. "O que é a vida? Qual o nosso papel enquanto aqui estamos?

Foi difícil trabalhar com Lourdes de castro, dada a reserva que a caracteriza? Há alguma história que possa contar?

Os primeiros contactos com a Lourdes aconteceram há mais de dez anos, o filme é o resultado também dessa aproximação, dessa confiança. No inicio há sempre mais filtros e barreiras, tanto ela como eu estávamos a descobrir quem era a outra. Depois é um pouco difícil verbalizar, é uma relação afectiva e como em todas há momentos de maior cumplicidade, uma comunicação mais tácita e momentos onde é preciso trocar ideias de uma forma mais explícita, mas no fundo esse caminho acontece naturalmente. Houve momentos em que senti que ainda não tinha uma ideia clara do que este filme ia ser, ele foi tomando forma na rodagem e depois mais tarde na montagem e lembro-me de perguntar à Lourdes se ela conseguia perceber o que eu estava a fazer a partir das cenas que ia filmando. Ela respondeu-me que neste momento parecia-lhe que eu tinha uma série de papelinhos uns em cima dos outros e que ainda não havia um fio condutor....mas que eu havia de o encontrar....e era verdade. Aprendi com a Lourdes a ter menos pressa....

Este filme foi marcante no seu próprio trabalho, de que maneira marcou o seu cinema?

Ainda é cedo para eu conseguir fazer essa reflexão, não sei de que forma este filme vai marcar o meu cinema. Vejo-o como um filme que estabelece uma grande continuidade com os filmes que fiz antes nomeadamente com o Desassossego e a Dama de Chandor, mas por outro lado julgo que se trata de um filme menos observacional de certa forma mais construído. Não há uma preocupação tão grande de informar ou dar um contexto, a motivação é sempre levar-nos a mergulhar num ambiente num universo. Não sei devolvo a resposta a esta pergunta aos espectadores...






Estudou Música (Cons. Nacional Lisboa), Direito (F.D.Lisboa) e Cinema (Mestrado na Univ. de Bris¬tol, Inglaterra). Fundadora da AporDOC (Associação Portuguesa de Documentário); Fundadora da produtora de cinema Laranja Azul, em 2000 com Catarina Alves Costa. Lecciona de 2004 a 2008 no curso de Som e Imagem e no curso de Artes Plásticas da ESAD, Escola Superior de Artes e Design de Caldas da Rainha, 2010 na Licenciatura em Cinema Documental da ESTA.



Filmografia



Fora de Água (1997)

A Dama de Chandor (1998)

Prémio Melhor obra Documental nos IX Encontros Int. de Cinema Documental da Malaposta; Prémio Melhor Argumento no 8o Festival Internacional de Belgrado; Prémio Aurélio Paz dos Reis prémio revelação do cinema português (1998); Festival de Cinema de Turim, 1999; Festival Internacional de Gottingen 2000; Festival du Nouveau Cinema et des Nouveaux Medias, Montréal 2000.

Desassossego
(2004)

Prémio Melhor Produção e Melhor Fotografia no DocLisboa 2002, Les Écrans Documentaires, Outubro 2002. Estreia comercialmente em Lisboa e no Porto em Maio de 2004; Festival Cine- Port, Brasil, Junho 2005.

Malmequer, o diário de uma encomenda (2005)

Transmissão ARTE FRANCE Julho de 2003 e Setembro de 2003; RTP Canal 1 Dezembro de 2004; DocLisboa 2004.

À flor da pele (2006)

Prémio melhor filme da competição internacional do festival Fórum Doe de Belo Horizonte; NAFA film Festival Copenhagen;Tartu World Film Festival; Indie Lisboa 2006; Festival de Gottin¬gen 2006; Rencontres La Lucarne de Montréal; VI Festival of Visual Culture, Finlândia; - Transmissão na RTP2, e na YLE Tema (Finlândia) Outubro de 2007;Panorama, Lisboa S. Jorge, Fevereiro 2008; Studio des Ursulines, Paris, Abril 2008; Nuoro Sardinia Ethnographic Film Festival, September 2008.

A minha aldeia já não mora aqui (2006)

Prémio do JÚRI FICC (Federação Internacional dos Cineclubes) no Festival Caminhos do Cinema Português, Abril 2007; Festival de Curtas Metragens de Vila do Conde, 2006;. Beeld voor Beeld, Amsterdão, Holanda e Antuérpia, Bélgica, Junho 2007 ;ProvinceTown International Film Festival, Junho 2007; Prix Europa, Berlin, Sepetmber 2008; Planet on Focus - Toronto Canadá, Outubro 2008.

No caminho do meio
(2009)

RTP2; Panorama do Cinema Português 2010.

Mãe e Filha (2009)

Doe Lisboa 2009, competição.

Pelas Sombras (2010)

Estreia na Fundação Serralves; Competição Nacional Indie Lisboa 2010 e Secção: Cinema Emergente.

Top