'mai maiores qu'essei serras', a partir de Jorge Sumares
com Paula Erra e Élvio Camacho


Preços: 6€ (público em geral) - 3€ (estudantes e maiores de 65)
Marcação por reserva
Contactos: 291 743 038 ou porta33@porta33.com
Levantamento dos bilhetes de acesso até 15 minutos antes do início do espectáculo
Duração: à beira de 1 hora sem intervalo
Classificação: M/14


«(…) ah, vamos fazer uma coisinha de teatro, que é fazer tudo muito devagar.»
Lourdes Castro in Pelas Sombras, de Catarina Mourão e Lourdes Castro.

mai maiores qu’essei serras, escrito em Abril de 1960, a partir do conto homónimo de Jorge Sumares, é quase todo dele. Sem termos lido o seu conto Rega, escrito em Dezembro de 1955 (que está cá ao de leve e que à pesada só ficará para um filme) nunca o teríamos feito. Na parte que o não é, é de tantos. Inspirado em tantos, roubado a tantos, guardado de tantos. É que pelo meio de ensaios vimos Jorge Sumares no O Amor que Purifica (edição da Porta 33) e tudo mudou. Toca a pedir autorizações de uso e abuso. Conseguimos alvarás de grande bondade de quase todos, sobrando sempre alguma pirataria - não fosse a Feiticeiro do Norte uma esquadra teatrilha de navegação terrestre. São uns pingos de ética neste mundo ligado (hiperligado) e acabámos por dar felicidade aos contactados, evitámos zangas, ficámos felizes e prontos para inspecções «qu’isto agora anda por aí uma gatunage que ninguém jaze». Mas há frases de outros que estão nesta nossa mioleira e que já são nossas.
(...)
Brandão, nas Ilhas Desconhecidas, disse que «o Homem do Funchal, em contacto com o progresso, transformou-se em hoteleiro, engraxador e chauffeur». José Tolentino Mendonça, mencionando-o, resumiria um dia (em depoimento gravado para o 1º episódio de Contributos para a VI Conferência Anual de Turismo da Madeira – organizada pela Delegação Regional da Ordem dos Economistas) «que o turismo fez do madeirense um criado de mesa... e de facto... é alguma coisa que nos deve fazer pensar, porque... a ideia não é essa». Não pode, mesmo, ser essa.
«Bem possa qu’isto já seja coisa de dois velhos ca cabeça fraca», mas aqui está isto. Olha, é o nosso ciclo agrícola, cheio de cio, canela rija, «amizidade» à terra, «isto não é sujidade: é terra, terra metida na pélia dei mãos que nunca mai larga». Ou é só Salomé Teixeira a dar vida a duas bonecas de massa.
Dêem-nos pancadas, como na colmatada da colmatação dos telhados de palha das casas típicas madeirenses, aparem-nos os maranhos de restolhos para as palhas não levantarem e a gente ficar mais testes (esbeltos enquanto não ficamos gagás), temos o nosso corpinho a meio do monte da vida. Restolhem-nos a casa. Colmatem-nos com apego. Senão, ficamos com frio. Não nos pagam para nos deixarmos disto, quem nos dera.
Manuel Vilão, protagonista do Rega, rouba água para encher o seu poço e dar de beber às suas laranjeiras, foi o que fizemos e sabemos que é pecado.
PS: A gente gosta de dedicar o que faz. Desta vez vai para José Rabeca, da venda do Craca, para Manuel Vilão, que (revelação de enredo) morreu na levada... e para o nosso Gabriel Poncha (que vimos numa venda quando viemos pela primeira vez a Santana).

Nota: entre as aspas, sem menção ao autor, estamos a citar Sumares em mai maiores qu’essei serras, in Contos Madeirenses, org. Nelson Veríssimo, Porto, Campo das Letras, 2005, várias pp.

 

«Uma das coisas que mais gosto no teatro: textos difíceis, verticalidade, rarefação, clareza, codificação, camadas de silêncio, camadas de palavras, articulação, enunciação, timbre, luz...vocábulos que todos nós, actores fracos ou excepcionais herdámos dos helénicos, feliz Dia do Teatro»
Miguel Loureiro, in facebook, num passado Dia Mundial do Teatro postando o vídeo
com Marianne Hoppe a interpretar In Hora Mortis, de Thomas Bernhard.

Como é que se agradece, sem ser numa posição muito dada?                
                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                   Agradecendo (sem ordem alfabética, e em construção, conforme os apoios sustentados vão surgindo. A referência a alguns nomes é simbólica e não abrangente, tem a ver sobretudo com nos irem escutando e compreendendo):
à Secretaria Regional da Educação e Recursos Humanos (Jaime Freitas e Jorge Morgado); à Câmara Municipal de Santana (Teófilo Cunha e Élia Gouveia); ao Conservatório - Escola das Artes - Eng.º Luíz Peter Clode – CEPAM  (Tomásia Alves e todos facilitadores responsáveis pela extensão do CEPAM em Santana); à Som ao Vivo (Filipe Sousa e todo o seu pessoal); aos Funcionários da Casa da Cultura de Santana; à Câmara Municipal do Funchal (Paulo Cafôfo e Duarte Mendonça) pelo Acolhimento no Teatro Municipal Baltazar Dias (TMBD) no contexto da 40ª Feira do Livro do Funchal; aos Funcionários do TMBD; ao Acolhimento TEF | Companhia de Teatro (no Cine-Teatro Municipal de Santo António); aos Artistas do TEF; ao Hélder Martins pelo desenho de luz, mais apurado, no Cine-Teatro; à Secretaria Regional da Cultura Turismo e Transportes (Conceição Estudante); à Direcção Regional dos Assuntos Culturais (João Henrique Silva); ao 11º Festival Et7&Tal (Luís Melim) que nos acolheu no Salão Paroquial do Curral dos Romeiros; à Sociedade de Desenvolvimento Ponta Oeste (Natércia Xavier); aos Funcionários do Centro das Artes Casa das Mudas; à Câmara Municipal da Calheta; à Casa da Cultura de Santa Cruz (Taciana Gouveia); à Câmara Municipal de Santa Cruz; ao Grupo Dançando com a Diferença (Henrique Amoedo); ao programa Donate Miles  - TAP; à Wildimpact (Miguel Moreira) e ao Grupo Empresarial ACIN – iCloud Solutions (Luís Sousa) pela plataforma de facturação electrónica iGest.

Agradecendo ainda:

ao Jorge Sumares; ao Nélson Veríssimo (que um dia nos lembrou, já no face, que podia ser Jorge Sumares a dar o mote a este espectáculo); aos herdeiros de Jorge Sumares (que nos deram todas as mãos); à Maria João Marçal (porta voz dos herdeiros de Jorge Sumares); à Marcela Costa; à Patrícia Sumares; à Ana Brandão; à Leonor Keil; ao João Carlos Abreu; ao José Viale Moutinho; ao João Pedreiro; à Teresa Amaral; ao Thierry Proença dos Santos (por nos ter conseguido o conto Rega); à Patrícia Perneta (que nos deu o contacto do serralheiro); ao António Manuel (o serralheiro); ao Heliodoro Dória (que nos emprestou os búzios); à Regina Castro e Abreu (que já nos encheu a sala com um magote de alunos); à Agência de Promoção da Cultura Atlântica (por no seu sítio da internet ter uma gravação, de 12 minutos, com cantigas dos Borracheiros do Porto da Cruz, da qual usamos uns excertos); às bonecas de massa da Salomé Teixeira; ao Armando Nascimento Rosa (que nos visitará); à Primeiros Sintomas (que pré-nasceu na Madeira) e às companhias (que nos inspiram e nunca nos viram sequer).

E dá para fazer agradecimentos mais especiais? Dá:

ao Pitum Keil do Amaral (que nos desenhou o logótipo e nos deu o direito a usarmos, no espectáculo, uns seus desenhos tão lindos, com a condição de não andarmos, para aqui, em panegíricos); à Cecília Vieira de Freitas e ao Maurício Pestana Reis por nos acolherem, em Dezembro de 2014, na especial Porta 33; ao Atelier Ser Criativo e nele à Márika Mankinen (nossa finlandesa que nos deu uma sala numa torre corsário, no centro do Funchal, para ensaiarmos de noite como, às vezes, tem de ser); aos Storytailors (que nos vestiram, aos poucos, enviando embrulhos, perfumados em papel tão bonito e sempre com um lacinho vermelho, desde Lisboa); à Wamãe (que nos meteu no plano e cor certa do ‘trailher’ - fazendo-nos entrar, em campo, num Ovni Mercedes Benz), àquele bandido do Filipe Ferraz (que a gente ama), ao mano Paulo Gouveia (que cuspiu fogo e nos deu, por camarim, o Estúdio 21) e à Joana Pinto (que se encantou com a gente, riu muito e nos deu alento); ao Marco Câmara (que meteu o nosso logótipo analógico em vectores); à Madeira Fisco - Graça Oliveira, Sr. Oliveira e Bruno Oliveira (que tratam das nossas contas no Dubai); à Ermelinda Silva e à Firmina Silva (que nos acarinharam com os seus lanchinhos e que nos abriram o palheiro onde guardamos parte dos nossos tarecos em Santana); à loja Flow (que nos dá o creme para a reforçar a nossa tez pálida); à Avelina Macedo (por colocar o som e a imagem e a luz, analogicamente, com aqueles tempos só dela); ao TEF | Companhia de Teatro e nele ao Eduardo Luíz (que nos calçou parte dos pés descalços); à Carla Cunha (que antes de existirmos sequer como Teatro Feiticeiro do Norte já nos apoiava e continua a apoiar); aos nossos maravilhosos sócios da associação que somos (aturam-nos, dão-nos pouco e muito pela cabeça abaixo e assinam de olhos fechados todos os nossos autos) e à Mariana Camacho por estar desejosa de nos ver e não só.

A toda a gente que gosta de nós aqui e noutras partes; aos que não puderam agora ajudar, mas que ajudarão; aos que não querem que a gente agradeça nada; a todos os que nos deram a mão, há mais dum ano, e ainda nos continuam a dar; e aos que a gente se esquecer, por lapso, de agradecer.

Ainda um agradecimento muito especial a duas pessoas que nos acolheram e ampararam nos momentos mais árduos desta íngreme ladeira, toda a pique mesmo, de sua graça Élvio Camacho e Paula Erra. À nascença, levaram um bigode (choque eléctrico) cujas repercussões ainda se fazem sentir quando, de vez em quando, chamuscam. Encontram-se em tratamento, desde os 12 anos, nas melhores e piores salas de espectáculo do país.

É dobrarmos e dobramos estes agradecimentos como se fossem lenços de linho.

Como é que se agradece? Pois… só com o espectáculo.

 


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