'Subsídios para o Conhecimento da Ilha da Madeira,
coligidos no “Elucidário Madeirense”,
e ilustrados por Pitum,em 1969'

Autor: Francisco Pires Keil Amaral (Pitum)
Páginas: 110
Contém 50 desenhos
Edição do Autor, Funchal 1970
Composição e Impressão: Gravuras Danilo & Telo/Tipografia Jornal da Madeira
PVP 10 EUROS

 

A iniciar este livro, é importante explicar como ele nasceu, estimulado pela existência desse valioso documento que é o “Elucidário Madeirense”.
E, para quem porventura desconheça essa obra, aqui vai, resumidamente a sua história:
Para comemorar o quinto centenário do descobrimento da Madeira, a Junta Geral do Distrito do Funchal decidiu, em 1917, publicar “...uma obra literária, de carácter histórico, mas de feição popular e principalmente destinada às classes menos doutas, de fácil e pronta consulta, em que toda a vida deste arquipélago nas suas múltiplas manifestações e variados aspectos seja posta em saliente relevo, embora em resumido quadro, a fim de não dar a essa obra proporções demasiado exageradas. Esta circunstância não exclui a necessidade de ocupar-se esse trabalho dos principais acontecimentos ocorridos na Madeira no longo período de cinco séculos, das biografias dos seus homens mais notáveis, dos seus usos, costumes e tradições, da sua actividade literária, científica, artística, industrial, agrícola e comercial, da benignidade do seu clima, da riqueza da sua fauna e flora, das incomparáveis belezas da sua paisagem, etc., etc., de molde a tornar essa obra um repositório abundante de informações e notícias, que possa particularmente interessar a todos aqueles que, por falta de tempo ou de preparação especial, não lhes seja possível consagrar-se a demorados estudos e mais largas investigações”.
Da realização desta tarefa foram incumbidos o Padre Fernando Augusto da Silva e Carlos Azevedo de Menezes, com quem colaboraram ainda, em parte, Adolfo César de Noronha e o Major Alberto Artur Sarmento.
Após aturados estudos e exaustiva recolha de informações, os autores deram por concluída a obra, que teve a sua primeira edição em 1921.
O seu sucesso justificou uma segunda edição, em 1940 e os autores tiveram o escrúpulo de rever e ampliar substancialmente as informações contidas na primeira.
Creio serem já falecidos ambos os autores do “Elucidário”. No entanto, a muitas pessoas ouvi desejar uma terceira edição actualizada.
Porquê?
Porque, efectivamente, o livro corresponde inteiramente às intenções dos seus promotores e, nas páginas do “Elucidário” podem encontrar-se as informações úteis, interessantes ou apenas curiosas mais completas sobre a Madeira.
E se os assuntos não são, evidentemente, esgotados, há as indicações bastantes para orientar quem queira prosseguir um estudo mais aprofundado.
Ora, entre tantas informações, qualquer pessoa, sejam quais forem os seus interesses particulares — a história, a geografia, os costumes populares ou o que quiserem —, encontrará no “Elucidário” motivos de estudo ou de prazer.
Não admira, pois, que eu ali encontrasse, também, os dados pitorescos, risonhos ou caricatos que aqui se apresentam.
Factos ou acontecimentos semelhantes a outros que existem em qualquer País, em qualquer região e que, encarados com sentido de humor, logo sobressaem.
Factos ou acontecimentos que, contudo, dão a noção de uma vida local, da evolução da mentalidade e dos costumes e que, por isso mesmo, me parecem interessantes.
Procurei  ilustrá-los na Madeira, porque aqui vivi e senti pelas suas coisas o maior carinho, — e porque, a existência do “Elucidário” mo permitiu e estimulou.
Talvez o faça noutra região, se encontrar facilidades tão sedutoras. É o que vou investigar...

Outubro de 1969
Francisco Pires Keil Amaral (Pitum)

 

Pitum Keil do Amaral filho de Maria Keil e Francisco Keil do Amaral. Fez o curso de Ciências Pedagógicas na Universidade de Coimbra (1957) e formou-se em arquitetura na Escola de Belas-Artes de Lisboa em 1961.
Exerce a arquitetura em profissão liberal desde 1958. Arquiteto na Metalúrgica Duarte Ferreira (1958-1967). Foi um dos principais colaboradores do Gabinete de Planeamento Urbano da Câmara Municipal do Funchal (1969-1970) e também do Gabinete de Planeamento Territorial do Distrito de Ponta Delgada, S. Miguel, Açores (1973-1974), dirigidos pelo arquitecto José Rafael Botelho. Coordenador de uma equipa S.A.A.L. do Fundo de Fomento da Habitação, para a recuperação de três bairros degradados do Concelho de Loures (1974-1976), de uma equipa que estudou a renovação do Bairro do Castelo em Lamego (1977-1978), e de uma equipa que estudou o plano de salvaguarda da vila de Castelo Mendo (1978).
Entre 1978 e 1984 foi cooperante na República Popular de Moçambique, primeiro na Direção Nacional de Habitação, depois como especialista das Nações Unidas, nesse mesmo organismo e na Secretaria de Estado da Cultura.
Coordenador de uma equipa que estudou o plano de salvaguarda da vila de Castelo Bom (1986). Chefe da Divisão de Estudos e Projetos, e técnico do Gabinete de Estudos Especiais da Câmara Municipal de Loures (1986-1994). Chefe de Divisão nos Serviços Técnicos da Câmara Municipal de Nelas (1994-2005).
Fez algumas incursões pelo teatro amador, como autor, ator e encenador. Participou como ator em dois filmes do realizador José Fonseca e Costa: Kilas, o mau da fita e Os cornos de Cronos. Participou em programas de TV (geralmente com a colaboração da família) como o concurso A Visita da Cornélia (que lhe deu particular visibilidade), A loja do Mestre André, Vamos dormir e Histórias de encantar. Foi um dos fundadores da associação cultural A Casa Velha, em Maputo, e A Vacaria Prodigiosa, em Sacavém. Foi um dos participantes (com Lourdes Castro e René Bertholo, entre outros) da «fotonovela» O amor que purifica.
Organizou exposições e instalações de arte, arquitetura e outros temas, nomeadamente uma exposição itinerante sobre a história da bandeira portuguesa, intitulada Em busca da bandeira da República.
Foi professor do Ensino Preparatório (1957-1960). Professor Assistente do curso de arquitetura da Escola Superior de Belas-Artes de Lisboa (1971-1972). Professor do curso de arquitetura da Universidade Católica Portuguesa, polo de Viseu (2004-2010).
Foi Presidente do Secretariado do Núcleo de Arquitetos da Região de Viseu, Ordem dos Arquitetos (desde 2008-2014).

 



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