Desenhos Estranhos [Uncanny Drawings] Colecção Madeira Corporate Services Curadoria de Adriano Pedrosa Porta33 > 22.02.2008 > 03.05.2008


“Desenhos Estranhos [Uncanny Drawings]” é a terceira exposição da Colecção Madeira Corporate Services na Porta 33, no Funchal, onde ela se encontra depositada. A colecção, bem como todas as suas exposições até ao momento, foram comissariados pelo brasileiro Adriano Pedrosa. A primeira mostra, em 2005, sob o título de “Desenhos: AZ”, incluia obras de todos os artistas contemporâneos presentes na colecção até aquele momento, apresentando um significativo (embora necessariamente incompleto) panorama do desenho contemporâneo. Em 2006, um livro foi publicado com o mesmo título.
Com a segunda mostra na Porta 33, deu-se início a uma série de exposições com o objectivo de investigar a colecção, explorando múltiplas possibilidades de recortes curatorias mediante leituras de obras e de articulações entre elas. Esta mostra, em 2007, teve como título “Drawing is a verb”, uma citação da famosa frase de Richard Serra, que sublinha o carácter eminente processual do desenho. Além de desenhos em papel, a exposição incluía um conjunto de cinco vídeos que de algum modo se relacionavam com a questão do desenho (e do seu processo).
Após uma exposição que enfatizava o carácter processual das obras, pareceu-nos interessante apresentar uma mostra cujo partido curatorial fosse mais temático-narrativo. Neste contexto, foi eleito “o estranho”, que se refere ao famoso texto de Sigmund Freud Das Unheimliche, [The Uncanny], de 1919.
O estranho pertence ao campo da estética, como diz Freud, e é talvez um dos mais ricos e complexos temas estéticos. O seu emprego na interpretação e leitura da arte contemporânea não é novidade—um cruzamento entre “uncanny” e “contemporary art” no google resulta em mais de 32 mil citações. O curto texto de Freud articula de maneira brilhante uma série de temas que se conectam e se desdobram: aquilo que nos causa medo ou terror, o duplo e a repetição, o espelho e a sombra, a morte e o corpo morto, a cegueira, a mutilação e a castração, os pedaços de corpo e o corpo em pedaços, o espírito e o fantasma, aquilo que nos é estranho e não-familiar, mas também aquilo que é tão repugnante e aterrorizador justamente porque subitamente se revela como algo que estava até então escondido ou reprimido em nosso interior ou em nossa casa.

As obras presentes na exposição foram seleccionadas tendo em vista este conjunto de temas. Optou-se por “desmembrar” o trabalho de Emily Jacir, From Paris to Riyadh (drawings for my mother) - Fevrier 1992, 1999/2001, composto por 114 folhas de desenhos, dispersando a obra em sub-conjuntos de desenhos e posicionando-os entre outros trabalhos da exposição. O trabalho de Jacir, que retrata pedaços de corpos de mulheres em preto e cinza, desempenha um estranho papel de intertexto na exposição.

Adriano Pedrosa




> THE UNCANNY, SIGMUND FREUD

> DESENHOS: A-Z [DRAWINGS: A-Z]

> DRAWING IS A VERB [DESENHO É UM VERBO]

> COLECÇÃO MADEIRA CORPORATE SERVICES

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