JOÃO QUEIROZ    Pinturas     27.11.2004 > 11.12.2004


Forma de representação que implica uma intensa investigação tanto sobre as modalidades de percepção como sobre as técnicas e as gramáticas específicas, a pintura coloca constantemente, tanto ao autor como ao apreciador, problemas que ultrapassam o mero efeito visual ou os métodos utilizados para o alcançar. O modo como João Queiroz tem conduzido a sua reflexão acerca da pintura é um excelente exemplo disso mesmo, e a paisagem tem sido, nos últimos anos, o género predominante no qual podemos apreciar os progressos desta investigação.

Nos últimos trabalhos de João Queiroz — seis telas em torno das levadas da Madeira —, a paisagem regressa depurada e meditativa. Do exercício contínuo de exploração dos/nos limites da pintura e do desenho, no método e abordagem, a sua pintura parece surgir, cada vez mais, como expressão de liberdade e disciplina; e é também como simultaneamente livres e disciplinadas que estas paisagens nos aparecem. Uma pintura vibrante, honesta e rigorosa, que pode ser (melhor) compreendida como orientada no sentido de um apuro e de uma exigência que são tanto de arte como de humanidade.

Manuel Rodrigues
Lisboa, Novembro de 2004

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