A exposição promovida pela PORTA33 tem fotografia de Duarte Belo e ganha forma a partir do trabalho de investigação de Madalena Vidigal, realizado em 2016 no âmbito da tese de Mestrado em Arquitectura da Universidade do Porto, intitulada "Rui Goes Ferreira. Ensaios sobre uma obra interrompida. Madeira 1956-1978.

Reflectindo sobre o pensamento e obra de Rui Goes Ferreira, a exposição procura transmitir a intensidade do seu processo e produção, contextualizando-os através do levantamento fotográfico e documental da obra. O contraste das fotografias actuais com alguns elementos do acervo do arquitecto, como desenhos técnicos, fotografias de época, memórias descritivas, entre outros, oferece um ensaio sobre a arquitectura madeirense na actualidade.

Esta exposição, motivada pelo acordo de doação deste acervo à Fundação Marques da Silva, no Porto, acolhe pela primeira vez uma obra que esteve interrompida e desprotegida por mais de 30 anos e encontra agora a possibilidade da sua incorporação no debate da arquitectura portuguesa do século XX e em futuros estudos e investigações.

No âmbito da exposição haverá lugar na PORTA33 a uma conversa com a participação dos arquitectos convidados André Tavares e Sergio Fernandez, com o fotógrafo Duarte Belo e com Madalena Vidigal comissária da exposição. Nesta conversa pretende-se dar a conhecer a experiência de aproximação às obras e reflectir sobre a arquitectura de Rui Goes Ferreira.

Durante o período da exposição, a PORTA33 organizará iniciativas destinadas ao público em geral, grupos de turistas, comunidade escolar, crianças e famílias.

O programa completo pode ser consultado aqui.

A exposição foi concretizada pelo apoio da Fundação Calouste Gulbenkian.

 

The exhibition promoted by PORTA33 brings together the photographic work of Duarte Belo and the research work carried out by Madalena Vidigal in 2016, for her Masters degree in Architecture at University of Porto, entitled Rui Goes Ferreira. Studies on an interrupted work. Madeira 1956-1978.

Looking over the work of Rui Goes Ferreira (Funchal, 1926-1978), this exhibition aims to show his thought and production processes through a photographic and documentary survey of his work. The contrast between present time photos and elements from his estate – such as technical drawings, historical photographs and descriptive documents – offers an essay on Madeiran architecture at present.

Prompt by the agreement to donate this collection to Fundação Marques da Silva, in Porto; this exhibition hosts for the first time a work that was interrupted and unprotected for more than 30 years and that now finds the possibility of its incorporation in the Portuguese 20th century architectural debate, as well as in future studies and investigations.

Marking the opening of this exhibition, a panel discussion will be held at PORTA33, with two invited architects, André Tavares and Sérgio Fernandez, the photographer, Duarte Belo, and the exhibition curator, Madalena Vidigal. The discussion aims to give an insight into the work of Rui Goes Ferreira.

During the exhibition period, PORTA33 will organise relevant initiatives for the public, tourist groups, school community, children and families.

PORTA33’s program can be found here.

The exhibition was realized by the support of the Calouste Gulbenkian Foundation.

Rui Goes Ferreira (1926-1978)

Nasceu no Funchal a 8 de Novembro de 1926. Em 1946 ingressou na Escola de Belas-Artes do Porto e completou a parte escolar do curso de arquitectura em 1953. Iniciou-se em trabalho de atelier com o Arquitecto Januário Godinho, numa primeira fase como estagiário no período entre 1953 e 1957. Regressou à Madeira em 1955 a convite da Academia de Música e Belas-Artes da Madeira (AMBAM) para integrar o corpo docente, como professor de Desenho Arquitectónico nos cursos de Escultura e Pintura. A partir de 1956 exerceu carreira em regime de profissão liberal, no Funchal. Em 1961 prestou a sua prova final de Curso, obtendo a classificação de 19 valores. Tem uma actividade profissional intensa nas ilhas da Madeira e Porto Santo. A par de Raúl Chorão Ramalho é percursor da arquitectura moderna no arquipélago. Cria no Funchal um “atelier-escola” que procurou a colaboração de arquitectos não locais agitando a massa crítica e diversidade da prática da arquitectura na região. Entre eles, Bartolomeu Costa Cabral, Manuel Vicente, Marcelo Costa, José António Paradela, José Zúquete e António Marques Miguel.

Entre variadíssimos programas, locais e circunstâncias, assim como outras actividades e interesses, identificam-se diversos campos da Arquitectura, Urbanismo, Arte e Sociedade em que actuou. Destacam-se: a docência na AMBAM; o trabalho desenvolvido para as Habitações Económicas da Federação das Caixas de Previdência, como Arquitecto Residente, no Funchal, na realização de vários projectos de unidades e de conjuntos, nomeadamente de habitação individual e colectiva; o acompanhamento da elaboração do Plano Director da Cidade do Funchal, coordenado pelo arquitecto José Rafael Botelho, que passou por discussão pública nos Colóquios de Urbanismo, em Janeiro de 1969, onde foram convidados os arquitectos Robert Auzelle e Nuno Teotónio Pereira; e o projecto cultural da Galeria de Artes Decorativas TEMPO, no Funchal, desenvolvido com o escultor Amândio Sousa. É ainda recordado na região pela participação na “Volta à Ilha da Madeira” conquistando, em 1964, o lugar de melhor madeirense na aclamada corrida de automobilismo. E como membro jogador assíduo do Campo de Golf do Santo da Serra tendo participado em vários torneios regionais e nacionais.

 

Esta é a história de um arquitecto. Do arquitecto Rui Goes Ferreira cujo trabalho e obra assumem uma extrema relevância na caracterização da arquitectura que se desenvolveu na Madeira nos anos 60 e 70. Hoje mantém-se quase no esquecimento. Enfrenta-se o desafio de descortinar e dissecar a prática e obra deste arquitecto, com a vontade de conhecer, aprender, pensar e divulgar a sua forma de fazer arquitectura. Entre variadíssimos programas, locais e circunstâncias, assim como outras actividades e interesses, identificam-se diversos campos da Arquitectura, Urbanismo, Arte e Sociedade em que actuou. Formado na Escola do Porto, levou para a Madeira a reflexão do papel social do arquitecto. Um trabalho feito pelo homem para o homem que usa a paisagem e o lugar como dado cultural a integrar na estrutura final, humanizando a arquitectura e desenhando-a à escala natural. O encontro com a obra de Rui Goes Ferreira passou por um trabalho de reconhecimento da realidade construída, da memória e da matéria documental, que antecederam uma reflexão mais profunda sobre o seu trabalho. A reflexão foi conduzida por um "jogo de palavras" (as palavras de Rui Goes Ferreira) que apenas se encontram nas memórias descritivas dos seus projectos. Pretende-se então construir uma narrativa sobre a prática e obra deste arquitecto através das memórias e vestígios ainda existentes. Compor uma narrativa que lhes concede de novo voz e animação de modo a dá-los a conhecer. Apresenta-se em dois instantes que exploram dois modos distintos e complementares de narrar a sua história, uma narrativa visual acompanha uma narrativa escrita, mas onde o contrário também se considera válido.

Dissertação de Madalena Vidigal “Rui Goes Ferreira. Ensaios sobre uma obra interrompida. Madeira 1956-1978”, Faculdade de Arquitectura da Universidade do Porto, no link:
https://repositorio-aberto.up.pt/handle/10216/87363

Em Junho de 2016, o fotografo Duarte Belo, foi às Ilhas da Madeira e Porto Santo fazer um levantamento fotográfico da obra de Rui Goes Ferreira. Um registo crucial num momento em que várias obras correm risco de desaparecimento. Mais do que um trabalho revelou-se um envolvimento na intensidade e profundidade de um personagem que encontrou ainda, e de certa maneira, presente.

Duarte Belo, no link:
http://sobreruigoesferreira.blogspot.pt/

Punkto: Recensão crítica de André Tavares da Exposição "Rui Goes Ferreira: imagem de uma obra interrompida" patente até 31 de Março na PORTA33, Funchal, com curadoria de Madalena Vidigal e fotografias de Duarte Belo.

Notas da edição Revista Punkto, 19.02.2018
arquitecturas \ espaços, no link:

http://www.revistapunkto.com/2018/02/rui-goes-ferreira-imagem-de-uma-obra.html

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