rés-do-chão 1º andar: sala 1 sala 2sala 3apresentação


Formado na Escola do Porto, Rui Goes Ferreira (Funchal, 1926-1978) trouxe para a Madeira uma reflexão do papel social do arquitecto. Foi, a par de Raúl Chorão Ramalho, percursor da arquitectura moderna no arquipélago. Interessa destacar a adequação dos seus projectos na valorização e uso da paisagem e do lugar como um dado cultural e a criação de um “atelier-escola” que procurou a colaboração de arquitectos não-locais na descoberta de novas abordagens e soluções e agitando a massa crítica e diversidade da prática da arquitectura na região. Rui Goes Ferreira teve uma prática profissional intensa e incessante na Madeira. Entre variadíssimos programas, locais e circunstâncias, assim como outras actividades e interesses, identificam-se diversos campos da Arquitectura, Urbanismo, Arte e Sociedade em que actuou.

Pensar a arquitectura de Rui Goes Ferreira levanta questões permanentes que envolvem o reconhecimento de uma obra de arquitectura, na aproximação progressiva ou intermitente entre o território e objecto arquitectónico. A obra é apresentada como um todo, coerente. Identificou-se que, independentemente da riqueza e variedade das situações e formas, as intenções repetem-se, assim como as palavras que as descrevem. Procurou-se a recorrência dessas palavras nas memórias descritivas dos projectos de Rui Goes Ferreira. Elas formam tecidos e famílias de palavras que representam as suas convicções mais fortes – conservação, integração, exposição, função ou habitar, transição, intimidade, composição, articulação, e movimento. Nesta abordagem expositiva surgem subentendidas. O contraste das fotografias actuais com alguns elementos do acervo oferece um leve ensaio sobre a arquitectura madeirense na actualidade.

A selecção das fotografias é espontânea e impressiva. A escolha recai essencialmente sobre os valores plásticos, texturas, jogos de luz e sombra, humanidade e relação com a paisagem – preocupações e procuras determinantes nas obras do arquitecto e da época contemporânea. A partir do universo imagético das suas obras pretende-se uma aproximação aos ambientes e sensações criados. Do universo da prática da arquitectura naquele tempo transportam-se de novo para estiradores elementos e ferramentas de um método de trabalho já desaparecido.

Rui Goes Ferreira nasceu e cresceu no Funchal. O seu campo de actuação abrangeu o território das ilhas da Madeira e Porto Santo e os lugares variam de uma dimensão urbana até uma paisagem natural e endémica. A integridade e solidez da sua obra decorrem de uma sensibilidade e conhecimento profundos pela realidade e contexto que o envolvia. O pensamento sobre o território e a paisagem eram uma extensão da relação que mantinha com a vida. Uma convivência serena e uma arquitectura também ela serena na paisagem, na orografia e no clima onde era introduzida. A fotografia foi uma ferramenta fundamental no processo de aproximação aos terrenos em que projectou.

Foi activo nos assuntos regionais, testemunhando nesses anos o desenvolvimento do Plano Director do Funchal, e participando na sua discussão pública nos Colóquios de Urbanismo, em 1969, cuja renúncia motivou anos mais tarde a criação da Associação de Arquitectos da Madeira, da qual era representante. Paralelamente manteve várias actividades desportivas entre elas, o automobilismo e o golfe, onde explora diferentes velocidades e ritmos que se vêem transportados para os seus projectos. A sua arquitectura transmite a paixão pelas coisas, por vezes frenética, por vezes branda, mas sempre fluida no tempo e no espaço. Uma vivência sensorial da arquitectura e da paisagem a par de um saber informado reúnem-se num arquitecto cuja palavra de ordem era certamente integração.

 

Rui Goes Ferreira (Funchal, 1926-1978) received his training at the ‘Porto School’ (School of Fine Arts, University of Oporto) and brought his reflection on the social role of architecture back to Madeira. Together with Raúl Chorão Ramalho, he was the forerunner of modern architecture in the Madeira archipelago. It is worth stressing that his projects were  geared to enhance  and use the landscape and place as a given cultural fact, and he set up a ‘school-studio’ that sought the cooperation of outside architects in order to discover new approaches and solutions and stimulate the critical mass and pragmatic architectural diversity in the region. Rui Goes Ferreira pursued his profession fully and without a break in Madeira. Among widely varying local and one-off programmes, as well as his other interests and activities, we see that he also played an active role in the fields of Architecture, Urbanism, Art and Society.

 When thinking about Rui Goes Ferreira’s architecture, permanent questions are raised to do with recognising architectural work in its progressive or intermittent approximation between the land and the architectural object. His work appears as a coherent whole. Regardless of the wealth and variety of the situations and shapes, we perceive that his purposes repeat themselves, just like the words he uses to describe them. We tried to see how many times time such words were repeated in the descriptive records  Rui Goes Ferreira made of his projects. They form the tissues and the families of words representing his strongest convictions  - conservation, integration, explanation/exhibition, function or dwelling, transition, intimacy, composition, intermeshing/articulation and movement. There are terms that are also understood in this display. The contrast between the photographs taken today and some of the data preserved in the collection, begs a brief study about Madeira’s current architecture.  

The selection of photographs is spontaneous and impressive. The choice falls mainly upon the artistic values, the textures, games played by light and shadow, their humanity and relationship with the landscape – compelling concerns and searches in the architect’s work and his contemporary era. In using the pictorial  universe of his work, we wish to bring together the atmospheres and the feelings he created. Once again transported to the drawing boards from the world of architectural practice back then, we now have the elements and tools of a method that has long gone.

Rui Goes Ferreira was born and grew up Funchal. His field of work covered the whole of Madeira and Porto Santo and the places varied between the urban scene and the natural, endemic landscape. The solid, integral nature of his work derived from his profound sensitivity and knowledge of the surrounding environment. His thoughts about the land and the landscape were an extension of his relationship with life. A serene  companionship and an architecture that was also serene in the landscape, the mountainous terrain and the climate in which it was built. Photography was a fundamental tool in the process for fathoming the areas in which they were projected.  

He was active in regional affairs, witnessing the development of the Funchal Strategic Plan at the time and taking part in the public discussions when the 1969 Colloquies on Urbanism were held. Years later, this led to setting up the Madeira Association of Architects in which Goes Ferreira was a representative. At the same time, he was an active sportsman and went in for car racing and golf where he explored different speeds and rhythms that were carried over to his projects. His architecture transmits his love of things, that were frenzied at times while slower at others, but always fluid in time and space. His was a sensory coexistence with architecture and landscape together with informed knowledge meeting up in an architecture where the slogan was certainly integration.

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