My Bloody Valentine, 2000
Vídeo, PAL, formato panorâmico (16:9), cor, som, 7’13’’

Rui Toscano narra, na primeira pessoa, a história da transformação de um sonho em pesadelo. A passagem de um estado a outro é representada por um fenómeno, dir-se-ia maligno, de contaminação progressiva da imagem e da música. Uma curta sequência introdutória, composta por cinco planos, mostra o cenário (um parque), o personagem (o próprio artista) e a situação (o artista deita-se na relva e contempla o céu). Segue-se, até ao final, um longo plano subjectivo do céu, que se vai tingindo lentamente de vermelho, até desembocar num plano monocromático puro. O espectador toma consciência desta mudança progressiva na imagem sem, no entanto, conseguir percepcioná-la no momento em que está a acontecer. Paralelamente, a música (uma remistura feita por Surgeon do tema Fear Satan de Mogwai) desliza de um onirismo tranquilizante para um ambiente cada vez mais ameaçador e opressivo. Deste modo, My Bloody Valentine proporciona uma intensa experiência perceptiva e emocional susceptível de induzir no espectador uma identificação com uma narrativa construída como auto-retrato interior.

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