The Foyer Affair, 2001
Vídeo, PAL, formato panorâmico (16:9), cor, som, 6’11’’

Filiando-se, tal como My Bloody Valentine, no género da auto-representação, este vídeo aproxima-se do anterior pela utilização, na construção da narrativa e da experiência de percepção visual e cognitiva, de um efeito de mistura lenta entre uma imagem figurativa e um plano monocromático, assim como pelo uso da cor e da música como veículos privilegiados da representação e da narrativa. No entanto, é como um negativo do vídeo anterior, um auto-retrato exterior cheio de ironia e despojado de psicologismo. A montagem e a música instauram uma descontinuidade, tanto em termos narrativos como formais, marcando a divisão do vídeo em duas partes claramente distintas. Na primeira parte, deparamos com um personagem, impecavelmente vestido e em poses estilizadas, no cumprimento de uma missão punitiva – o artista auto-retrata-se inspirando-se para tal nos códigos de representação do herói justiceiro de certos filmes de acção (em particular, dos filmes de John Woo). As imagens em câmara lenta encadeiam-se numa montagem acelerada, ao som do tema Cerimonies Against the Night of the Devil de Bachir Attar. Na segunda parte, ao som do tema Girlfren dos Mercury Rev, um plano único mostra o personagem, em pose estática e auto-confiante, a fumar tranquilamente o seu cigarro, depois de cumprida a missão. A imagem vai sendo misturada com um plano de cor azul até se transformar num plano monocromático.

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