CLOROPHILIA

Manon Harrois e Sara Bichão
[com Maria João Mayer Branco]

19.12.2020 — 03.04.2021


A exposição cruza o pensamento filosófico e a criação artística numa reflexão que toma como mote as particularidades orgânicas e plásticas do desenvolvimento da vida vegetal no tempo e no espaço para interrogar aquilo a que chamamos a “vida” humana e a criação de obras de arte. Concentrando a atenção no singular modo de acolhimento oferecido pela Porta33, procurar-se-á reflectir sobre o modo como ali o tempo se transforma num espaço gerador de possibilidades e realidades pictóricas e artísticas, mas também de uma dinâmica de criação e contemplação que é única no panorama das instituições nacionais e internacionais que se dedicam à arte contemporânea. Esta mesma dinâmica será considerada à luz de noções como semente, enraizamento, cuidado, silêncio, espera, ritmo, solo, organismo e pensada por comparação e contraste com a dinâmica observável na vida dos espécimes do reino vegetal.

A actividade intitulada Clorophilia resulta do encontro, em 2018, na Madeira, das artistas Sara Bichão e Manon Harrois com Maria João M. Branco, professora de Estética no Departamento de Filosofia da Universidade Nova de Lisboa. Desse encontro nasceu um diálogo-correspondência, constituído por uma troca de desenhos e de textos entre as três promovido pela oferta feita por Cecília V. de Freitas de um conjunto de antigos cadernos em branco às artistas, e que procurará agora lançar as suas sementes. O título do projecto — o termo, fictício, “clorophilia” — indica o ponto de partida do trabalho a ser desenvolvido e articula duas noções conhecidas: clorofila é o nome do elemento dos pigmentos vegetais essencial à realização da fotossíntese, através da qual a luz é absorvida pelas plantas, enquanto a palavra philia designava, na Antiguidade, um tipo de relação entre seres humanos, que tanto podia indicar parentesco (donde as noções, ainda de uso corrente, de “filiação”, p. exemplo), como também aquilo a que se veio a chamar, nas diversas línguas da cultura ocidental, “amizade”. A invenção do termo Clorophilia é, portanto, a tentativa de dar um nome à possibilidade de pensar uma afinidade entre o desenvolvimento da vida vegetal e a modalidade das relações humanas a que os gregos chamaram philia. O projecto explora essa possibilidade em termos artísticos e filosóficos, mas também através de uma componente experimental e mesmo orgânica determinante. A sua inspiração é dupla: por um lado, o contacto com o jardim/estufa que Cecília V. de Freitas mantém no espaço da Porta33; por outro, a leitura do texto “Fauna e flora”, de Francis Ponge, uma meditação acerca das particularidades orgânicas e plásticas do desenvolvimento da vida vegetal no tempo e no espaço. O espaço vivo e silencioso do jardim/estufa, cuja existência tem acompanhado discretamente o trabalho da PORTA33, será assim pensado em termos não apenas espaciais, mas como abertura para uma temporalidade singular, para “o tempo dos vegetais” que se “resume ao seu espaço, ao espaço que ocupam pouco a pouco, preenchendo uma tela determinada, sem dúvida, para sempre.” (Ponge). A partir destas duas raízes, materiais e conceptuais, o projecto Clorophilia explorará o desenvolvimento de um vocabulário plástico, sonoplástico e poético — de uma linguagem pictórica e sonora que é potencial semente física de pensamento e de palavra —, prolongando a correspondência já havida entre as três participantes, cruzando o seu trabalho individual com o da Porta33, e simultaneamente propondo a abertura desse cruzamento a uma comunidade mais alargada, no presente e no futuro. O diálogo inicial que deu origem ao projecto tomará, assim, uma forma alargada e presencial, lançando as sementes do trabalho nunca acabado da constituição de uma comunidade.

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