POLIFÓNICA
Rui Horta Pereira

com Filipa Vala, Luísa Spínola e João Gonçalves
PORTA33 — 24.10.2020 — 05.12.2020

POLIFÓNICA
DE RUI HORTA PEREIRA

Cooperação, reputação; obra, autor
Um processo de partilha criativa é um acto cooperativo. Em Polifónica, partiu-se de um conjunto de textos para a concretização de peças que, resultando de actividades individuais, formam um todo enquanto extensão da mesma voz inicial. Toda a cooperação tem por base mecanismos de reciprocidade e sabemos que na nossa espécie, como noutros primatas, somos capazes de atribuir "reputações" e que estas influenciam as nossas decisões de cooperação (tendemos a cooperar com aqueles que têm reputação de ser cooperantes). Mas na arte, como noutras áreas de atividade, a autoria (ou a marca) tem vindo a sobrepor-se à obra – ou, pelo menos, contribui decisivamente para a importância que lhe é atribuída. Será que a exarcebação da autoria é uma consequência indesejada dos mecanismos que nos permitem construir reputação? Numa "cambalhota evolutiva" terá a reputação (autor) passado a valer tanto ou mais que a ação (obra) nas nossas sociedades? Se assim for, Polifónica exprime um desejo re-fundador: o gesto subversivo de regresso ao anonimato da termiteira. A cooperação polifónica (ou des-autoral).

VISITA GUIADA
por Rui Horta Pereira e Filipa Vala

Rui Horta Pereira ( Évora-1975) tem dedicado uma parte substancial da sua investigação artística e criativa ao desenho, o desenho é em grande medida o elemento mais constante. Essa permanência do desenho tem um âmbito alargado seja nos aspetos formais, seja nas formulações teóricas que propõe. Procura problematizar, do mesmo modo que procura resolver. É, digamos assim, a sustância dinâmica que convoca permanentemente outras disciplinas como a escultura a animação ou a fotografia, se aproxima de preocupações e causas ambientais e sociais, ou se traduz numa partilha de saber, em oficinas, ateliês, visitas. A produção artística deve ser uma aferição e uma afirmação da diversidade e multiplicidade do mundo, o meu trabalho é constituído por um conjunto de hipóteses que procuram confirmar e enquadrar  essa convicção.
É formado em Escultura pela FBAUL/Lisboa. Nos últimos anos obteve igualmente apoios à criação de algumas entidades, entre as quais a F. C. Gulbenkian e a DGArtes. É representado pela Galeria das Salgadeiras.

Exposições individuais:

A maioria das pedras não tem folego e etc, Galeria das Salgadeiras Lisboa, 2020, Mapa Luga, uma Lacuna, Centro Culturalde Cascais, 2019  Solaris, Casa das Artes Tavira, 2018; Eco, Fundação Bienal Cerveira (Projecto novos Artistas), 2018; Mergulho, Galeria das Salgadeiras, Lisboa, 2018;  Opaco, Biblioteca FCT NOVA 2018;  Sono, CIAJG Guimarães 2018, Cenário, Escultura Pública realizada no âmbito do festival Artes à Rua com a associação Pó-de-Vir-a-Ser, Évora 2017; Horas Vagas, CaC em Ponte de Sor 2017 Hífen-Modo Composto, CaC em Ponte de Sor 2016; É, Fundação Carmona e Costa, curadoria de Nuno Faria, Lisboa 2016; Erosão, Convento Cristo, Tomar 2015; Turvo, Galeria 3+1, Lisboa 2014;  Around, Galeria Quadrum, Lisboa 2013; Remanescente, Galeria 3+1, Lisboa 2011; O Frágil culto do desenho, Torres Vedras 2011; Tudo aquilo que cair da mesa para o chão, Quase Galeria, Porto 2010; Linda Fantasia, Carpe Diem Arte e Pesquisa, Lisboa 2010; 

Colectivas:

Earthkeeping Earthshaking  Curadoria de Giulia Lamoni e Vanessa Badagliacca, Galeria Quadrum Lisboa, 2020.
Polifónica 3ª Residência de 2020 na Porta33, Projeto expositivo de Rui Horta Pereira e Filipa Vala com uma forte vertente científica e pedagógica: acolhe a participação de alunos da Unidade Curricular de Laboratório de Desenho I, do primeiro ano da licenciatura em Artes Visuais da Universidade da Madeira, sob orientação do docente João Gonçalves e de um grupo de trabalho, constituído pelos frequentadores do Atelier de Desenho da Porta33, orientado por Luísa Spínola.
Cúmulo-Nimbo (escultura pública) projeto desenvolvido com Maria Ilhéu para o Festival Artes à Rua – Mais sustentável, Évora 2019; Ater, Galeria das Salgadeiras, Lisboa 2019. Studiolo XXI, curadoria Fátima Lambert, Fundação Eugénio de Almeida, Évora 2019. Apresentação de Caminho proposta para Mais importante que desenhar é afiar o lápis, seminário de Desenho Concepção de Nuno Faria, Porta 33, Funchal 2019;  Call for Papers, Curadoria de Helena Mendes Pereira, Zet Gallery, Braga; Apresentação e conversa no âmbito no Espaço Editorial da DRL sobre o livro de Artista Lepisma Saccharina , a convite de Maria do Mar Fazenda curadora convidada para a edição do Portefólio português tema do segundo número da papeleo, cuadernos drawing room que antecipou a primeira edição da Drawing Room Lisboa, organização Maria do Mar Fazenda e  Filipa Valadares, 2018;  A Evolução do Braço, Curadoria Nuno Faria, Museu Municipal de Faro, 2018; Processos em trânsito/ Livros de Artista, Curadoria Sobral Centeno, CM Matosinhos, 2018; Portugal em Flagrante, Operação 1, Fundação Calouste Gulbenkian, Lisboa 2016; Os Índios da meia Praia, Curadoria de Abdul Varetti, Mediação de Nuno Faria, Galeria 111, Lisboa  2016. 

Colecções privadas e públicas:
Colecção Fundação Carmona e Costa; Colecção Arte Contemporânea Tróia Design Hotel; Colecção Regina Pinho Brasil; Colección Art Fairs SL, Espanha; Colecção Biblioteca de Arte Fundação Calouste Gulbenkian; Colecção Figueiredo Ribeiro; Colecção Berardo; Coleção PMLJ.

Bibliografia

Almeida, Marina, “O Discreto transformador da matéria sobrante”, Diário de Noticias, Artes, 10/08/2017
Fazenda, Maria do Mar, PAPELEO, Portefólio Português 2, Cuadernos Drawing Room, 2018
Lambert, Mª de Fátima,  “Silêncio,desenho e alma da matéria” , texto da brochura  da exposição  Tudo aquilo que cair da mesa para o chão, 2010
Lambert, Mª de Fátima, “Remanescendo”, Programa Molduras;
Matos, Ana, Texto folha de sala exposição “Mergulho”, Galeria das Salgadeiras, Lisboa, 7/06 a 28/07/2019
Martins, Celso,  sobre a expo “Around” - suplemento Actual de 30 de novembro de 2013;
Martins, Celso, “Apagar para revelar”, Jornal Expresso - Suplemento Actual, 7 Fev. 2009
Martins, Celso, “Arte na Avenida”, Jornal Expresso - Suplemento Actual, 25 Julho 2009
Oliveira, Filipa, texto da exposição Junho Das Artes, Óbidos, 2010
Oliveira, Lusa Soares, Texto folha de Sala da exposição “Mapa Luga, uma lacuna”, Centro Cultural de Cascais, 2019
Parreira, Sérgio, Entrevista ArteCapital, 14/03/2019
Pereira, Helena, Texto da exposição “Call for Papers”, 12/01 a 2/03/2019, ZetGallery, Braga;
Ponte, Catarina da, Entrevista da brochura da exposição “Erosão”, Convento Cristo Tomar, 2015;
Porfírio, José Luís, Texto sobre a exposição “Mergulho”, Revista do Jornal Expresso;
Reis, Paulo, O desenho como dimensão do tempo, texto da exposição “Artificializar”, Giefarte, Lisboa, 2009;
Sousa, Rocha de, Desenhar e Artificializar, Jornal de Letras, 10 Março 2009.

 

Filipa Vala nasceu em 1972, em Lisboa. Fez o seu doutoramento na Universidade de Amsterdão (2001), e foi investigadora antes de começar a trabalhar em Comunicação de Ciência.

Enquanto investigadora focou-se no estudo da evolução de relações parasita-hospedeiro e publicou vários artigos científicos e capítulos de livros.

Em 2006, motivada por um estágio no diário Público (programa “Cientistas na Redação), mudou de carreira. A ciência produz conhecimento que não se traduz de forma imediata em algo que as pessoas possam utilizar. A comunicação de ciência assume como papel seu esta transferência de informação, que é essencial na construção de sociedades tecnologicamente avançadas e democráticas.

A Filipa trabalhou em televisão e documentário, exposições e programas educativos, e foi autora e coautora de livros. Cobre várias áreas científicas, mas a Evolução permanece o seu tópico preferido.

Presentemente, está a trabalhar numa exposição integrada nas comemorações de Lisboa Capital Verde: Variações Naturais é uma exposição sobre os ecossistemas de Portugal que inaugurará em novembro no Museu Natural de História Natural da Universidade de Lisboa.

Coordena o programa EvoS na Universidade de Lisboa, um programa que explora a contribuição do pensamento evolutivo para áreas fora das ciências naturais, com enfoque em questões sobre a evolução de cooperação na espécie humana: a sua contribuição para Polifónica parte de reflexões sobre este tema.

 

Maria Luísa de Freitas Spínola

Luísa Spínola nasceu no Funchal, a 24 de agosto 1962, possui Mestrado em Arte e Património no Contemporâneo e Atual, pela Universidade da Madeira, uma Pós-Graduação em Gestão.com pelo ISCTE e Licenciatura em Artes Plásticas / Pintura pelo Instituto Superior de Arte e Design / Universidade da Madeira.
Participação, desde 1994, em diversas exposições coletivas e individuais em diferentes áreas (pintura, fotografia, serigrafia, desenho e instalação).
Ilustrou cinco livros infantis, um infantojuvenil, um livro de poesia e um livro de crónicas.
Coordena e orienta, desde 2006, o Atelier de Artes Plásticas, Gatafunhos.
Desde dezembro de 2017 que colabora no Serviço Educativo da Porta33, desenvolvendo o Atelier de Desenho.

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