The Nails’ Feedback 1998
Instalação vídeo
Vídeo, NTSC, cor, sem som, 60’, loop
dois pregos de madeira (4 cm cada)

The Nails’ Feedback proporciona uma experiência envolvente de percepção visual a partir de um efeito simples, mas surpreendente, de feedback do vídeo. Alexandre Estrela filmou, com suaves movimentos de câmara, dois pregos na parede, enquanto essa imagem era simultaneamente projectada sobre esses pregos, criando assim uma sobreposição não coincidente de infinitos planos da mesma imagem. A imagem resultante é um simulacro de fumo que se condensa e expande a partir dos pontos definidos pelos pregos. A instalação completa-se, num movimento regressivo e auto-referencial, com a projecção do vídeo sobre dois pregos idênticos colocados na parede, nos exactos pontos da imagem de onde o fumo emerge.

Hear Here 2002
Vídeo, PAL, cor, som, loop

O artista tomou como ponto de partida conceptual para este vídeo o facto de a propagação do som ser mais lenta do que a da luz, ilustrado por um fenómeno que nos é familiar, a trovoada. Com efeito, a distância da trovoada em relação ao ponto do espaço onde nos encontramos pode ser medida pelo tempo que medeia entre a luz emitida pelo relâmpago e o som correspondente. No vídeo, um plano negro vai sendo interrompido por um flash de luz (um único frame branco), seguido, com pequenos intervalos variáveis, por um disparo sonoro e, imediatamente a seguir, por uma legenda que indica a distância espacial (em milhas) entre um e outro. O desfasamento temporal entre a luz e o som representa a hipotética posição do flash em relação ao espectador. Quando, em dado momento, a luz e o som se sincronizam, surge em legenda o título “hear here” (ouve aqui) para significar a ocorrência do fenómeno no ponto em que se encontra o espectador.

One in a Million (version two) 2003
Video NTSC, cor, som, loop

Este vídeo foi filmado durante um percurso de automóvel pelas ruas de Manhatan, em Nova Iorque, com uma câmara de vídeo defeituosa que, inadvertidamente, gravou um pixel bloqueado em todas as imagens registadas. O pixel marca presença nas imagens como um ponto fixo que desenha uma linha negra em movimento, a flutuar no ar, a voar sobre as ruas. Em vez de considerar as imagens imprestáveis, devido à inesperada intrusão do pixel, o artista assumiu este como uma espécie de impressão digital do vídeo, uma assinatura, e passou a encará-lo como uma projecção da sua própria singularidade, uma pequena marca de identidade na grande metrópole urbana. O minúsculo mas teimoso detalhe, resistindo ao fluxo ininterrupto da imagem, foi assim elevado a protagonista de One in a Million.

Meta Drop 2002-2004
Vídeo PAL, cor, som, 2’17’’, loop

Drop é o termo com que, no léxico do vídeo, se designa uma falha de sinal, que pode ser provocada por defeitos na gravação ou pela degradação do suporte da cassete ou do disco em que ela é feita. É, pois, um elemento espúrio que interrompe a linearidade da imagem vídeo. Os drops que aparecem neste vídeo, provocados pela falha de sinal na entrada da câmara de vídeo digital, foram retirados de várias gravações e combinados ao ritmo da música numa sequência, como se estivessem a provocar drops uns nos outros, numa espécie de entropia do sistema vídeo. Alexandre Estrela reabilita, com desconcertante ironia, uma disfunção do vídeo, temida pelos artistas que usam esse medium, para criar composições abstractas coloridas a que não é alheio um sentido de beleza.