ESCOLA DA VILA ― CONSTRUÇÃO DE UM ESPAÇO COMUM
Exposição comissariada por Madalena Vidigal e Diogo Amaro
Escola do Porto Santo — 25.06. 2021 — 30.10.2021

ESCOLA DA VILA ― CONSTRUÇÃO DE UM ESPAÇO COMUM exposição comissariada por Madalena Vidigal e Diogo Amaro




PROCESSO

No final da década de 50 do século XX, a Câmara Municipal do Porto Santo encomendou ao arquiteto Raul Chorão Ramalho (Fundão, 1914 - Lisboa, 2002), o projeto de arquitetura para a Escola Primária do Porto Santo (E.P.P.S.) — nome de registo em Licenciamento.
Raul Chorão Ramalho era à data um respeitado arquiteto, destacando-se entre muitas outras, as obras em curso de estruturas de apoio à rede hidroelétrica para a Comissão Administrativa dos Aproveitamentos Hidráulicos da Madeira, algumas destas últimas localizadas na ilha do Porto Santo.
O Projeto de Licenciamento foi entregue na Câmara Municipal em novembro de 1959, prevendo a construção de um corpo com quatro salas de aula em localização distinta da atual. Em junho de 1965, o projeto foi revisto considerando a relocalização do edifício para o terreno definitivo e a introdução de um novo corpo autónomo para acolher uma cantina.
As obras decorreram entre 1965 e 1968 e a escola abriu parcialmente à comunidade escolar ainda durante a execução dos trabalhos, no ano letivo de 1967/1968.
Passados alguns anos da sua construção integrou o ensino pré-primário e sofreu algumas alterações ao longo do tempo, já sem o acompanhamento do arquiteto, nomeadamente adaptações nas instalações sanitárias e as ampliações do gabinete dos professores, da sala da biblioteca e da arrecadação, sendo que a intervenção mais recente data 2001. As alterações, apesar de não terem colocado em causa a integridade do conjunto, modificaram a volumetria do edifício e a fluidez dos espaços exteriores.
Reconhecido o seu valor histórico, arquitetónico e artístico, para além do intrínseco valor afetivo para aquela comunidade,a partir de 2019, a PORTA33 inicia um trabalho de recolha e levantamento documental, em estreita aproximação à sua comunidade. Do qual resulta, em abril de 2020, a abertura do procedimento de classificação a Imóvel de Interesse Público.
Possibilitado pela cedência e reprodução dos documentos originais por parte do SIPA – Sistema de Informação para o Património Arquitetónico e dos Arquivos e Bibliotecas da Madeira, a “Escola da Vila” é hoje, objeto de análise e reflexão nesta mostra expositiva, que apresenta os desenhos relativos às duas fases de conceção do projeto: o Projeto de Licenciamento de 1959; e a sua revisão de 1965.
A exposição assinala a reabertura e reativação do seu edifício, com um novo propósito — um novo Espaço Cultural e de Residências Artísticas — promovido pela PORTA33, que agora inicia um processo de devolução à sua comunidade, em cumprimento do contrato de cedência da Escola da Vila pelo Município do Porto Santo.



POTENCIALIDADES E FUTURO

A obra da “Escola da Vila” é, ainda hoje, um testemunho necessário para a perpetuação de uma arquitetura que celebra os valores culturais do lugar, de uma forma inovadora. Tão difícil de manter no panorama atual, quando, mergulhados num ambiente de dimensão mundial, tantas vezes perdemos a ligação ao que nos define e assistimos uma gradual homogeneização e empobrecimento da arquitetura das nossas cidades e paisagens.
As valências singulares dos seus espaços e plasticidades parecem convir bastante à sua nova apropriação. A mesma inteligência na observação e valorização das potencialidades do território empregue na arquitetura da Escola inspira o novo projeto a implementar. Será a partir da observação e análise cuidadas sobre as particularidades da ilha do Porto Santo e da leitura e escuta das características da sua comunidade que nasce um novo propósito para este espaço.
O exercício de consciencialização e afirmação continuada do valor desta peça arquitetónica servirão de mote a um trabalho promovido pela PORTA33, de sensibilização e reconexão da comunidade com a sua própria identidade e memória, procurando contribuir para o desenvolvimento sustentável do seu território. Este edifício-laboratório ou case study pretende continuar a ser fonte de inspiração e de investigação de novas formas de produção arquitetónica e artística.